PA | Belém completa 400 anos afundada em um caos social

Eziel Duarte – Coord. Geral do DCE/UFPA

Eduardo Protázio – Juventude Vamos à luta/PA

 

No dia 12 de janeiro de 1616, os colonizadores portugueses chegaram, pela Baía do Guajará, e como bons colonizadores, ignoraram a cultura já existente e escravizaram os povos nativos, fundando Santa Maria de Belém do Grão Pará, mais tarde chamada simplesmente de Belém. Ao longo de sua história, Belém foi marcada pela desigualdade social e privilégio de grandes elites, à custa do povo trabalhador. Nos séculos XIX e XX, a capital do Pará foi considerada uma das cidades mais ricas, quando viveu a Belle Epoque, sustentada pela exploração do látex e dos trabalhadores caboclos que colhiam o material usado para fazer borracha.

Ainda no século XIX, em 1835, Belém protagonizou a Cabanagem, revolta popular armada, sendo a única experiência brasileira em que os trabalhadores chegaram a tomar o poder. Porém cinco anos depois foram depostos.

Cidade da beleza e do caos!

A indignação dos cabanos do século XIX, que consideravam que a cidade não era construída para os pobres, perdura até hoje. Nos dias atuais Belém continua assim: uma cidade onde só os ricos desfrutam dessa riqueza, enquanto o povo pobre amarga a precarização dos espaços e serviços públicos e a criminalização da população negra e periférica.

O atual prefeito, Zenaldo Coutinho (PSDB), é o principal responsável pelo caos social que vive a cidade. O prefeito foi eleito prometendo priorizar a saúde, segurança e saneamento, o que chamava em sua campanha de “Três Ss”. Ironicamente, essas são as áreas atualmente mais sucateadas. Belém ocupa as piores posições nos rankings sociais, sendo a 18º mais violenta do mundo e a 5º capital mais perigosa para crianças e adolescentes; tivemos essa comprovação há mais de um ano com a chacina que matou 11 jovens na periferia de nossa cidade, comprovadamente por milícias policiais. A polícia que desce a baixada não sobe aos centros para prender os bandidos sonegadores de impostos e políticos corruptos.

Em junho de 2015, o Pronto Socorro da 14 de Março, principal unidade de urgência, que atendia cerca de 400 pessoas diariamente, pegou fogo após sucessivas denúncias de péssimo estado das instalações físicas e elétricas, bem como a deficiência de pessoal e de equipamentos. Além das denúncias dos próprios trabalhadores do pronto socorro, o Ministério Público Federal havia solicitado, cerca de cinco meses antes do incêndio, uma vistoria pelo corpo de bombeiros que alertou para uma possível tragédia, e ocorreu.. Mesmo assim, Zenaldo ignorou o estado alarmante.

Esse rio era minha rua.

Belém cortada por rios e igarapés, hoje canalizados e transformados em esgotos a céu aberto. As chuvas são muito comuns e basta uma chuva de poucos minutos para que a cidade vá pra baixo d’água. O sistema de esgoto é antigo e não há saneamento, sobretudo nas baixadas. Na Bacia da Estrada Nova, por exemplo, onde vivem mais 200 mil pessoas, cerca de 5 mil famílias vivem em áreas de alagamentos e até hoje a prefeitura não concluiu as obras de macrodrenagem.

O transporte dá lucro ao empresário

O caos no serviço de transporte coletivo e mobilidade urbana sem dúvidas é uma das principais reclamações dos belenenses. Em 2012, na gestão anterior, do prefeito Duciomar (PTB), foi iniciada a construção do BRT, que ligaria o centro de Belém ao distrito de Icoaraci. A obra foi inicialmente orçada em R$ 300 bilhões e levaria 18 meses para ser concluída, mas até hoje não foi. Zenaldo deu sequência à roubalheira institucionalizada e enriquecer empreiteiras.

Enquanto isso, quem usa o transporte coletivo sofre com os ônibus lotados e sucateados, pagando caro pela tarifa a exemplo de outras capitais, onde o aumento das tarifas serve ao lucro dos empresários No aniversario de Belém a iniciativa que tem a prefeitura é um projeto de aluguel de bicicletas em vários pontos da cidade em parceria com a HAPVIDA, sendo pago R$60 anuais, mais uma parceria que em nada beneficiara a população, pois a maioria dos usuários de “bikes” são de trabalhadores (principalmente da construção civil) e moram longe do centro, ou seja longe dessas estações e sem ciclo faixas. É necessário um plano de mobilidade urbana que sirva de fato para democratizar a cidade com um transporte público digno, com passe livre para estudantes e desempregado.

O caos e o tarifaço

Esse caos social e os tarifaços que denunciamos em Belém é fruto de uma política de ajuste, orquestrada desde Dilma (PT) e aplicado pelo governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), o prefeito Zenaldo e vereadores que defendem esses governos. Com a inflação corroendo os salários e colocando Belém com a cesta básica mais cara do país.

O que o povo trabalhador de Belém tem a comemorar nesses 400 anos? A cidade é pra quem? Os festejos que a prefeitura de Belém organizou são para esconder a situação de calamidade em que se encontra a cidade. Aos que nos chamarem de pessimistas, por fazermos duras críticas à cidade em seu aniversário, dizemos que enquanto a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre, estiverem sofrendo as mazelas sociais, provocadas por seus governos, denunciaremos insistentemente.

Nesses 400 anos, os belenenses têm muito mais a reclamar do que a comemorar. É necessário construir um polo de lutas que denuncie a situação de caos que vive a cidade. É urgente que se pense em políticas emergenciais que ofereçam à população saúde, saneamento, segurança, educação, cultura e transporte de qualidade.

Saudamos a história de resistência dos trabalhadores que constroem Belém nesses 400 anos e defendemos uma cidade feita para esse povo.

É preciso enfrentar os ajustes de Dilma, Jatene e Zenaldo e não deixar que levem nenhum centavo a mais das áreas sociais. Assim teremos uma cidade para o povo!