Em virtude da viagem do companheiro Eraldo Paulino, militante do Vamos à Luta à Espanha, escrevemos uma carta entregue durante a assembléia dos Indignados que mesmo participou no dia 23/08.
Carta do Vamos à Luta à Juventude Indignada espanhola
Vivemos tempos diferentes de qualquer outro período da história. É um mundo novo em que a juventude é protagonista de uma inquietude que se materializa em ação em todo o planeta. Milhares de jovens tem ido às ruas desde o início do ano no norte da áfrica, Oriente Médio, Europa, EUA e América Latina. Mais do que nunca estamos todos indgnados como os espanhois.
Essas rebeliões que derrubam governos como na Tunísia e Egito ou que radicalizam em suas ações como na Grécia e agora em Londres são pautadas por um problema comum a juventude em todo o mundo. É cada vez maior o desemprego entre as pessoas na faixa etária entre os 18 e 30 anos. As relações de trabalho aos que conseguem uma oportunidade de emprego são das mais precárias, mesmo os que conseguem concluir um curso superior. Essas lutas ocorrem porque os governos, os bancos e as empresas jogam o peso da sua crise sobre os trabalhadores e a juventude. Na Espanha, o desemprego entre jovens se beira a casa dos 30%, em países como Portugal, Itália e Grécia os números se aproximam disso. Padecemos dos mesmos problemas e somos da mesma geração “à rasca” de Portugal.
A juventude chilena tem lutado há meses contra o modelo de ensino privado instalado desde os tempos de Pinochet no país e que agora tem sido posto em xeque em mobilizações como a ocorrida no dia 09/08 com mais de 100 mil pessoas nas ruas, juntando estudantes a trabalhadores de vários setores, como professores e os mineiros que lutam pela renacionalização do cobre no país. Essa luta é de todos nós por que o banco mundial aplica essa política privatista em todos os continentes como prova o plano Bolonha no velho mundo.
A crise da dívida americana que chega a mais de 14 trilhões de dólares confirma que o cenário de crise da economia é global e tende a piorar. Os cortes de Obama em áreas sociais também demonstram que o ajuste grego contra os direitos sociais é um modelo que eles desejam globalizar.
No Brasil, o governo Dilma Roussef cortou 3, 1 bilhão do orçamento da educação e mantém o pagamento de uma dívida pública que chega a mais de 1 trilhão de reais. Aqui em nosso país, temos mais de 6 milhões de jovens desempregados, o que corresponde a mais de 50% do total de desempregados os que tem entre 18 e 29 anos.
Por não nos agradar o presente como está, somos parte dos que querem um novo futuro para nossa Geração. O futuro moldado por Obama, Zapatero, Cameron, Sarkozy, Dilma e cia não é o mesmo que a juventude indignada, que a revolução pinguina chilena ou que a primavera árabe vem moldando.
Os nossos sonhos não cabem nos lucros dos banqueiros. O mundo que vivemos está, como disse Eduardo Galeano, dividido entre indignados e indignos. Assim sendo, queremos construir nas ruas e nas Praças do Sol, Syntagma, de Tahrir e no Brasil a manhã desejada, que hoje se constrói no calor das mobilizações que devem seguir até a vitória.
Saudações e todo apoio a luta da juventude espanhola. Somos todos indignados!
Juventude Vamos à Luta – Brasil.
Rio de Janeiro, 09 de agosto de 2011
