Bárbara Sinedino e Júlia Schmidt
Brigada Indignada do Vamos à Luta no Chile
A paralização nacional que ocorreu esta semana mostrou que a luta popular estudantil está em alta e o governo Piñera cada vez mais disposto a reprimir e criminalizar o movimento. O assassinato do estudante Manuel Gutiérrez de 16 anos indignou ainda mais a juventude, que fez um velório simbólico na frente da ocupação que ocorre na Universidade do Chile. A universidade se localiza no centro de Santiago, próximo à sede do governo e num local bastante movimentado. A manifestação começou no final da tarde de sexta-feira (26 de agosto) horário de saída de trabalho.
Ficamos mais uma vez impressionadas com a repressão que ocorreu neste ato, não só pelo tema do protesto, mas também porque os manifestantes nada faziam além de clamar por justiça com palavras de ordem. A resposta da polícia foi novamente desproporcional: caminhões a lançar jatos d’água e carros blindados (muito parecidos com o “caveirão” do BOPE) subindo pela calçada sem se importar com quem passava perseguiam os estudantes. Não conseguindo dispersar aqueles que ali estavam, revoltosos com a perda de um jovem, os policiais optaram pelo confronto físico. Nos sentimos numa guerra.
À noite prosseguiram as barricadas por toda a cidade. Como na noite de quinta-feira foram presos três jovens colombianos que participavam de manifestações estamos tendo que tomar muito cuidado. A polícia aqui é muito truculenta, muito mais do que imaginávamos e achamos melhor não participar diretamente destas por uma questão de segurança. Em Puente Alto, onde estamos, ouvimos muitos tiros e houve picos de luz, que ameaçou ser cortada (prática adotada pelos manifestantes aqui para se esconderem da polícia), assim como o foi nos dois dias do paro.
Durante a paralização convocada pela CUT (Cental Unitaria de Trabajadores) a repressão policial assassinou um estudante. Infelizmente, nem a CUT, nem a CONFECh (Confederación de Estudiantes de Chile), que tem maior influencia sobre o movimento, convocaram manifestação contra este ato da polícia do governo Piñera. A CONFECh chamou apenas um minuto de silêncio. Apesar disso, ocorrem também organizações pela base, como assembleias de bairros que convocam atos e barricadas em repúdio ao assassinato do jovem Manuel Gutierrez.
“Los Ideales son a prueba de balas”

