Nós estudantes da UFF, da Juventude Vamos à Luta, escrevemos esse texto para aprofundar um debate de muita importância para toda a comunidade acadêmica da UFF: a greve dos servidores técnico-administrativos. Queremos aqui expor nossa visão do significado dessa greve no contexto da situação política nacional, da situação da nossa universidade no que diz respeito às condições de ensino e trabalho, da luta necessária e justa luta dos estudantes por assistência estudantil e do papel que cumprem nesse processo o governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB), a reitoria (Salles/Sidney) e a direção majoritária do DCE da UFF (UJS-PcdoB/Liberte/Kizomba-PT).
2014 de greves e mobilizações!
A classe trabalhadora e a juventude do nosso país passam por condições precárias de vida. A inflação cresceu num nível significativo aumentando o preço dos alimentos, o transporte público é caro e com condições precárias, a saúde pública também é um dos piores problemas, com péssimas condições estruturais e servidores mal remunerados. Além disso, a realização da Copa da FIFA no Brasil provocou a intensificação da especulação imobiliária e, consequentemente, dos preços dos aluguéis nas cidades-
sede, além das incontáveis remoções de comunidades pobres para darem lugar a estádios, estacionamentos e vias expressas que em nada atenderão os interesses do povo trabalhador. Somado a isso, a crise econômica internacional que afetou em cheio o nosso país, faz com que o principal ponto em comum do governo Dilma e os governos estaduais e municipais seja o arrocho salarial e o ajuste fiscal para salvar o bolso dos banqueiros, empresários e patrões.
É nesse contexto, especialmente depois das Jornadas de Junho de 2013 que derrotaram o aumento das tarifas do transporte em todo o país, que acontece a greve nacional dos servidores técnico-administrativos das universidades federais e de tantas outras categorias que saem a lutar por aumento de salário, melhores condições de trabalho, como os garis, metalúrgicos de Niterói, os rodoviários e professores da rede municipal e estadual do RJ, só para dar alguns exemplos.
Todo apoio à greve dos servidores da UFF!
A UFF possui cerca de 30 mil estudantes matriculados no ensino presencial, cerca de 4.500 servidores técnico administrativos e cerca de 3.500 professores, segundo os dados da própria universidade. Em 2007, antes da aplicação do REUNI, decreto do governo federal que impôs a expansão sem qualidade nas universidades federais, a UFF tinha 3.894 servidores e hoje 4.473. Ou seja, enquanto o número de estudantes dobrou apenas 579 novos servidores entraram na universidade. Na prática, esses dados revelam a falta de servidores técnico-administrativos nas coordenações, departamentos, laboratórios, bibliotecas, bandejões e tantos outros setores fundamentais para nós estudantes.
Além disso, a falta de concursos públicos permite o avanço da terceirização do trabalho, com funcionários que, na maioria das vezes recebem um salário mínimo, com longas jornadas de trabalho e desvios de função descontrolados, sem estabilidade e garantias de direitos trabalhistas básicos. A maior expressão dessa precarização do trabalho talvez aconteça nos bandejões que são um dos principais elementos de garantia de permanência dos estudantes na UFF. O bandejão do Gragoatá é o único que possui uma cozinha para produzir as milhares de refeições que nós comemos – antes do REUNI eram produzidas 3 mil refeições diárias, hoje são 7 mil, no mesmo espaço. Os poucos trabalhadores de lá tem uma grande sobrecarga, passam por acidentes de trabalho e são muito mal remunerados. Por isso, junto com todos os trabalhadores da UFF, no dia 17/03 eles também resolveram cruzar os braços e paralisarem o bandejão.
A greve é um direito do trabalhador, um direito de lutar pela conquista de direitos que os patrões e governos querem atacar e retirar a todo o tempo, assim como o governo Dilma e a reitoria da UFF querem acabar com o direito da jornada de trabalho de 30 horas conquistado com muita luta pelos servidores das universidades federais. Quando uma categoria está em greve, os trabalhadores usam o seu tempo de trabalho para organizar sua luta, participando das reuniões dos comandos locais e nacionais de greve,
das manifestações de rua, de marchas nacionais, como aconteceu no início desse mês em Brasília, e tantas outras atividades que esses trabalhadores decidem democraticamente através de suas assembleias e comandos.
Com toda certeza as greves incomodam. As manifestações de rua também prejudicam o trânsito, a greve dos garis deixou a cidade do Rio imunda em pleno Carnaval carioca, a dos rodoviários prejudica as pessoas que precisam ir trabalhar ou estudar e a dos professores com certeza prejudicará o calendário escolar dos alunos na rede municipal e estadual do RJ. No entanto, essas greves são necessárias! Se os garis não tivessem cruzado os braços no Carnaval, não teriam tido 37% de aumento salarial; se os rodoviários do RJ não tivessem feito duas paralizações nas últimas semanas, a sociedade não conheceria a realidade dessa
categoria que é massacrada por seus patrões e traída por seu sindicato; se os professores do estado do RJ não lutarem, continuarão recebendo R$900 reais por mês, sem vale-transporte e alimentação e sem a menor vontade de enfrentarem as várias escolas e provas e trabalhos de centenas de alunos que eles não conseguem nem decorar os nomes.
Também a greve dos servidores da UFF incomoda o governo Dilma, que já afirmou que vai tentar cortar o ponto dos grevistas das universidades, o que seria um completo ataque ao direito de greve. A greve deles também mostra que o bandejão, que é um serviço essencial para a permanência dos estudante na universidade, não é tratado como tal pelo governo e pela reitoria, pois se fosse, os trabalhadores de lá seriam valorizados, não haveria filas gigantescas e haveria bandejão em todos os polos da UFF. Se a greve dos servidores for vitoriosa e sua pauta for atendida, isso significa que haverá mais concursos públicos com
salários dignos sem terceirização, melhorando o atendimento em vários setores da UFF, que o HUAP não será privatizado através da EBSERH etc. Ou seja, a vitória dos servidores é também uma vitória dos estudantes da UFF!
Direção majoritária do DCE é governista e atrelada à reitoria!
Mas para essa vitória se concretizar, o governo Dilma, que não quer atender a pauta dessa categoria e já quer criminalizar sua greve, terá que ser derrotado! É aí que entra o papel da reitoria e da direção majoritária do DCE que, inclusive, fez a campanha para o reitor que ainda vai assumir, Sidney Mello. Reitoria e DCE defendem toda a política do governo Dilma para as universidades, a mesma política que ataca direitos e precariza as condições de trabalho e ensino. Por isso, o que ambos querem é que essa greve seja derrotada e não vitoriosa, pois sabem que para a situação dos trabalhadores e estudantes das universidades melhorarem, o governo Dilma teria que parar de pagar metade do orçamento para os banqueiros através dos juros e amortizações da dívida e de cortar verbas da educação e saúde públicas, parar de dar dinheiro público aos empresários, empreiteiros e para FIFA, parar com as privatizações de estradas, portos, aeroportos e do petróleo e com os inúmeros esquemas de corrupção como o da Petrobras. A proposta de “Bandejão Catraca Livre” que, a princípio, parece ser boa, na verdade
significa propor que os trabalhadores do bandejão, além de pararem de cruzarem os braços, a própria essência da greve, não possam construir seu processo de luta, participar das atividades tiradas nas assembleias e comandos e, além disso, que decidam quando, como e o que fazer na sua luta. Se nós estudantes decidíssemos, em uma assembleia de base, ocupar a reitoria para conquistar o aumento das bolsas de assistência, seria justo que os servidores ou professores dissessem a nós que estamos fazendo errado e exigindo que deveríamos fazer de outro jeito? Nós do Vamos à Luta achamos que não, que cada movimento ou categoria possui autonomia para decidir os rumos de sua luta, democraticamente e pela base. Por isso, repudiamos a postura do DCE de fazer qualquer tipo de pressão e exigência aos trabalhadores, pois nossos inimigos e culpados pela greve não são eles, mas o governo Dilma e a reitoria da UFF.
Unificar as lutas por salário, condições de trabalho, ensino e permanência na UFF!
Nesse sentido, achamos que a luta dos estudantes da UFF por assistência permanência hoje passa necessariamente pelo apoio à greve dos servidores, assim como já deliberou a última Assembleia Geral dos Estudantes da UFF através de uma moção. Só a unificação das lutas contra a política de Dilma e Salles é capaz de trazer vitória e conquista das pautas dos estudantes, servidores e professores!
Por isso, devemos demonstrar nosso apoio na prática e, junto aos servidores, fazermos um ato no próximo Conselho Universitário no dia 28/05, às 09h, no auditório da Geociências (Praia Vermelha), exigindo o fim dos cortes de verbas de Dilma para a educação pública, aumento no número e valor de bolsas de assistência, pesquisa, monitoria e extensão, concursos públicos para servidores e professores, BusUFF até o terminal, construção de bandejões e moradias em todos os polos da UFF, bolsas para os estudantes que residem na moradia estudantil, mais livros nas bibliotecas e toda a nossa pauta!
