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La Clase
Simón Rodríguez Porras (USI-PSL)
Desde Venezuela apresentamos nossas desculpas aos estudantes chilenos por estas atroz decisão


O resultado da primeira cúpula da comunidade de estados latino-americanos e caribenhos (CELAC), terminada no último domingo, 04/12, em Caracas não poderia ser mais decepcionante para quem havia guardado alguma expectativa com relação ao evento. O governo venezuelano derramou jatos de tinta e belos discursos para gerar a impressão de que a criação do novo organismo regional guardava paralelismos com o movimento de independência de 200 anos atrás. Muito longe do sonho de Bolivar, a CELAC só reflete o pesadelo do século XXI latino-americano: insípidas declarações de generalidades e a eleição do chefe de Estado chileno Sebastián Piñera como presidente do novo organismo regional foram os paupérrimos resultados da cúpula.  
Piñera, precisamente, o empresário, direitista e encarniçado inimigo do movimento estudantil que vem empenhando seus maiores esforços nos últimos 10 meses em reprimir aos estudantes que exigem uma educação 100% estatal e gratuita, que tem as mãos manchadas com sangue de estudantes e lançou a consigna “nada é grátis na vida” para justificar a posição de seu governo de considerar a educação universitária como um negócio antes que um direito. Um raivoso pró-imperialista herdeiro e defensor do legado social da ditadura pinochetista.
Assim como a OEA, a CELAC será um fórum que reunirá representantes de estado submetidos econômica e politicamente ao imperialismo, com a única diferença de que não integrará o governo ianque nem o Canadá. Vários presidentes latino-americanos vêm reiterando que a CELAC “não está contra ninguém”.
A CELAC funcionará mediante o antidemocrático método do “consenso”, que permite uma minoria ou até mesmo a um único governo vetar qualquer decisão. Por isso não podemos esperar outra coisa que declarações brandas e uma conversa sobre integração com pouca substância. Está totalmente descartado que a CELAC possa promover políticas unitárias para suspender o pagamento da dívida externa ou para recuperar a soberania sobre os recursos naturais que atualmente são saqueados em todo o continente. Tampouco servirá a CELAC para apoiar a causa da independência de Porto Rico, já que como agudamente observou o cantor René Perez, do grupo Calle 13, esta oprimida nação caribenha nem sequer foi convidada para a cúpula. Sem dúvida para não incomodar o colonialismo gringo.
O discurso integracionista é utilizado pelos propagandistas do governo inclusive para justificar os mais vergonhosos pactos econômicos e militares com o governo de Juan Manuel Santos. Semelhante integração, dentro dos estreitos limites políticos que vem trazendo uns governos antipopulares, não serve aos fins da emancipação latino-americana. Diante dos resíduos demagógicos da congregação de mandatários, o dirigente operário, Orlando Chirino lembrou que o presidente Chávez de que “os presidentes vão de cúpula em cúpula e os povos de abismo em abismo”, observando que as reclamações dos trabalhadores estiveram ausentes na reunião da CELAC.
A declaração de Caracas fala de reconhecer as contribuições dos povos indígenas, enquanto a norma dos países membros da CELAC é a perseguição contra os mesmos povos. A Venezuela não é uma exceção já que o governo se nega a reconhecer o direito constitucional dos povos indígenas a auto-demarcação de seu território ancestral. Um delirante Leonel Fernandez inclusive falou de que a CELAC impulsionaria a América Latina a converter-se em uma “potência mundial”. A principal máquina do mundo, a China, também enviou sua saudação a CELAC. Em suma, tudo um torneio de demagogia e charlatanismo.
Para que não fiquem dúvidas, a cúpula culmina com a eleição de Sebastian Piñera como primeiro presidente do organismo. Desde a Venezuela apresentamos nossas desculpas aos estudantes chilenos por esta atroz decisão que o governo venezuelano está patrocinando. A integração burguesa que representa a CELAC,devemos contrapor a solidariedade dos povos em luta, o internacionalismo revolucionário. Essa é a única e verdadeira integração que nos deparará um futuro de justiça e liberdade.