Everton Luiz / Mariana Nolte*

No dia 14/7, na Câmara dos Deputados, ocorreu a posse da nova diretoria da UNE que estará à frente da entidade nos próximos dois anos. O que poderia ter sido marcado como uma manifestação de apoio e solidariedade à greve das federais foi, na verdade, um ato de apoio ao governo Dilma (PT/PMDB), com convidados investigados na Operação Lava-Jato, como o senador Lindbergh Farias (PT) e, representando a presidente, Gilberto Kassab (PSD), Ministro das Cidades inimigos dos trabalhadores sem-teto que lutam pelo direito à moradia. Estivemos presentes e mostramos qual será o perfil da 2ª Diretoria de Universidades Públicas pela Oposição de Esquerda, assumida pela companheira Mariana Nolte, da Juventude Vamos à Luta e da CST-PSOL.

O verdadeiro “golpe da direita” é o ajuste fiscal

O campo majoritário da UNE (PCdoB/PT), com apoio de dezenas de parlamentares e dirigentes sindicais governistas, afirmou que a principal tarefa da UNE no próximo período será “a defesa de Dilma contra o golpe da direita”, uma visão compartilhada pelo Campo Popular (Consulta Popular/PT).

Fomos categóricos ao dizer: Se existe um golpe em curso hoje no nosso país, esse golpe se chama ajuste fiscal e é encabeçado pelo governo Dilma e aplicado pelos governos a nível estadual de Alckmin a Beto Richa. Se existe um golpe em curso, ele está no acordo de cooperação militar que a Dilma fez recentemente com os golpistas de 64: os militares e o imperialismo norte-americano. Não há um golpe da direita, pois o governo Dilma é de direita e está unificado com a oposição tucana, com os militares e o imperialismo para aplicar o verdadeiro golpe que é o ajuste.

11A: no Dia do Estudante, ocupar as ruas contra os cortes de Dilma

Os governistas tentam colocar mais uma cortina de fumaça para desviar o foco dos nossos principais desafios: fortalecer a greve das universidades e do funcionalismo público federal, recuperar cada centavo retirado por Dilma da educação e, como a juventude grega, dizer “NÃO” ao ajuste fiscal e ao pagamento da dívida pública, suspendendo seu pagamento e destinando as riquezas do nosso país para educação, saúde, moradia, salário e vida digna ao nosso povo. É escandaloso que, com um mês e meio da greve das federais, a UNE, por responsabilidade das juventudes do PCdoB e do PT, não tenham convocado o movimento estudantil a unificar à luta com o ANDES e a FASUBRA.

Por isso não compuseram a Marcha em Brasília no 7/7, um marco fundamental da unificação dos estudantes e trabalhadores e onde ocorreu uma Plenária Nacional do ME, organizada pela Oposição de Esquerda, ANEL, MUP etc. e que apontou o 11 de agosto como um dia-D da Jornada de Lutas do movimento estudantil contra o ajuste fiscal, os cortes de Dilma na educação e a redução da maioridade penal. Uma nova reunião nacional ocorrerá no final de julho para preparar esse dia. Essa é a tarefa da juventude brasileira da qual estarão a serviço as diretorias da Oposição de Esquerda da UNE eleitas com o voto de milhares de estudantes que querem que a UNE volte a ser perigosa.

 

*Diretor do DCE da UFMG / 2ª Diretora de Universidades Públicas da UNE pela Oposição de Esquerda, ambos da Coordenação de Juventude da CST-PSOL