Vitória dos estudantes, Reitoria em cheque

A greve de 2016 rendeu vitórias para os estudantes, como a expansão da moradia, a discussão e votação do projeto de cotas étnico-raciais. Essas foram conquistas sobre as quais a Reitoria nunca esteve disposta a dialogar e que foram arrancadas pela força e mobilização coletiva dos estudantes, em cada instituto. Como forma de reafirmar a sua autoridade e autoritarismo após as mobilizações, o então reitor Tadeu e seus pró-reitores (incluindo o novo reitor Knobel) fizeram um grande acordo institucional, com os coordenadores de curso e diretores de instituto, com tudo, para perseguir e punir os estudantes.

Em alguns institutos abriram-se sindicâncias (processos internos) que poderiam levar a expulsões, além de processos judiciais. Além disso, por exemplo na Química, professores deliberadamente subiram as médias de suas matérias para 7,0, às vezes reprovando turmas inteiras. E em vários cursos os coordenadores, de forma arbitrária, passaram a negar matrículas e recursos de estudantes visando impor um jubilamento compulsório no semestre seguinte. Desses casos, que nós saibamos, há pelo menos 4 na Ciência da Computação, por volta de 15 na Engenharia Mecânica e cerca de 30 na Estatística. Pode haver mais casos, cujos números a reitoria não publica.

O Jogo e as Regras da Reitoria: Um programa de Governo

Se hoje os estatutos da Unicamp permitem esse tipo de ataque, é uma responsabilidade da Reitoria e do CONSU. Com essas regras, as coordenações de curso têm amplos poderes para decidir sobre a vida de qualquer estudante. Em essência, isso é uma ferramenta de intimidação, que também serve para conter qualquer tentativa de mobilizar dos estudantes, aumentando as pressões acadêmicas sobre todos nós. Em última instância, é esse tipo de ação — junto aos problemas de permanência, do vestibular, e uma série de outros — que garante o projeto elitista e cruel que o governador Alckmin e seu partido, o PSDB, têm para as Universidades Públicas.

2013: 720 Estudantes Unidos

Há 4 anos, na virada do semestre, 720 estudantes foram jubilados. O processo foi rápido e automático: com base no CP, os sistemas acadêmicos decretaram a expulsão de todos. Era um total de 4% dos matriculados, incluindo os que tinham tempo para concluir o curso. Nesse processo, que uniu a todos diante do mesmo problema, houve mobilização e os estudantes protestaram na Reitoria em defesa dos seus estudos. A resposta do reitor foi a criação do PAA (Programa de Acompanhamento Acadêmico), uma espécie de “recuperação” de médio prazo que deveria servir para auxiliar os estudantes a concluírem suas graduações, ou seja, uma vitória.

Contudo, a Reitoria manteve no PAA o poder total sobre a matrícula nas mãos do coordenador de curso. Esse poder inclui não seguir as regras do próprio PAA. Ao invés de orientação e auxílio, os estudantes estão encontrando a truculência e intransigência dos coordenadores. Isso tem que acabar!

Imagine-se impossibilitado de se matricular, pois a coordenação não aceitou suas matrículas; no mesmo semestre, você terá que trancar o curso ou ser jubilado compulsoriamente. No semestre seguinte, seu tempo de concluir o curso já será inviável. Você recorre, mas os recursos também são negados pelo coordenador. É nessa situação que dezenas de estudantes se encontram agora.

Vemos, através dos exemplos concretos de 2013 e da greve de 2016 que a mobilização dos estudantes é que resulta em transformação real na Universidade. Não vamos permitir que arrebentem com nossos cursos, nossas vidas e nossos sonhos de concluir a graduação e seguir uma carreira! Nenhum estudante a menos!

Quem luta pela Educação não merece punição!

#NenhumEstudanteAmenos #CotasJá

O mês de Abril ainda promete muita mobilização. Estamos na preparação da votação das cotas na Unicamp, defendendo os estudantes processados judicialmente e enfrentando os projetos de Terceirização e Reforma da Previdência do governo Temer. Para garantir vitórias em todas essas frentes, é crucial coordenarmos as nossas lutas!

Propomos no dia 20 de Abril um grande ato na Universidade pela aprovação das Cotas! Dia 28 de Abril as Centrais Sindicais convocaram a Greve Geral em todo o país para derrotar esses projetos do governo que visam nos fazer trabalhar precariamente e até morrer. Essa luta, na Universidade, precisa se articular com a defesa dos estudantes injustiçados e derrotar a máquina truculenta dos coordenadores de curso e da Reitoria. Se 2013 e 2016 nos ensinaram algo, é que somente a unidade na luta vai nos garantir vitórias!

Rumo à Greve Geral! Nenhum Estudante a Menos!