Sem nenhum debate com a comunidade universitária , com uma tropa de seguranças e a ameaça de colocar a PM no campus a reitoria chamou um Conselho Universitário (CONSU) para o dia 03/10 com o objetivo de aprovar os cortes orçamentários que ainda não haviam sido aprovados na última sessão do conselho: o aumento do bandejão para R$4,00 e corte de 30% no valor das bonificações dos trabalhadores.

Só a luta muda a vida!

Com a nossa mobilização junto aos trabalhadores barramos o aumento do bandejão! Mais uma vez se prova que a luta é quem pode trazer vitórias: pela greve do ano passado conquistamos ampliação das bolsas. Na luta por cotas étnico-raciais este ano, fazendo debates na universidade toda e um grande protesto em maio, arrancamos as cotas da Reitoria.

Não podemos ter nenhuma ilusão ou confiança no Conselho Universitário — este órgão autoritário já provou que só é convencido pela pressão. O aumento do bandejão foi retirado de pauta só porque teve muita luta! Dentro do Conselho, a atuação dos nossos representantes discentes é muito importante e deve se somar a pressão dos protestos, que são vitais para que a pauta estudantil seja respeitada. Afinal, o Conselho Universitário tem os seus próprios objetivos e mesmo com as melhores argumentações por parte de nossos representantes no conselho todos os outros cortes foram votados e aprovados.

Não nos enganemos: lá dentro não temos quase representação e quem decide de fato são os conselheiros do reitor. O mesmo conselho universitário que só aprovou cotas após uma greve e com 500 pessoas se manifestando, quer agora expulsar os futuros estudantes cotistas atacando a permanência estudantil e cortando verbas. Eles não estão do nosso lado e têm seus próprios objetivos.

A verdade é que os conselheiros e a reitoria têm medo dos estudantes que suspenderam a última sessão e fizeram um grande ato novamente! Retiraram de pauta o aumento do bandejão pensando que nossa luta era só contra esse ataque e que assim vão nos desmobilizar: estão totalmente enganados.

Pacotão de cortes aprovado – Essa crise não é nossa!

Após a retirada de pauta do aumento do bandejão foi criado um grupo de trabalho fechado, sem participação ampla da universidade, composto apenas por membros do CONSU para levantamento de dados sobre o bandejão. A reitoria já disse na mídia que quer aumentar o bandejão em novembro, daqui um mês! Exigimos uma audiência pública para debater amplamente, com dados abertos sobre o orçamento da universidade.

Foram aprovados cortes que precarizam a universidade e que vão atingir em cheio os estudantes: a suspensão da reposição de professores vai levar ao fechamento de disciplinas; a redução das gratificações do trabalhadores em 30% vai cortar os salários já congelados; e a decisão de que o reajuste salarial será definido dentro do CONSU , querendo acabar com unidade na luta dos trabalhadores das estaduais paulistas.

Esse pacotão de maldades aprovado se soma aos cortes de 50 milhões feitos neste ano no orçamento da universidade e à redução de 25% para 15% da reserva de vagas das estudantes na creche universitária. Nos institutos já começa a se sentir os cortes com a redução de cota de xerox e a paralisação de todas as obras/reformas na universidade.

A reitoria é cúmplice de Alckmin e Temer para jogar a conta da crise nas costas de nós estudantes e trabalhadores, para desmontar e precarizar a Educação pública. A crise que vive a UNICAMP é uma crise de financiamento: não é nem repassado para as Estaduais Paulistas 9,57% do ICMS (imposto que deveria garantir o custeio das estaduais) determinado na lei de 1989! Enquanto isso Alckmin dá uma bolsa empresário e banqueiro que isenta as grandes empresas de pagarem impostos e direciona bilhões do IMCS para a dívida pública do Estado e do País com os banqueiros nacionais e internacionais.

O número funcionários não acompanhou o crescimento das estaduais, sendo preciso a contratação de novos trabalhadores e a ampliação da permanência estudantil; o repasse necessário hoje segundo o Fórum das 6 seria de 11,6% do ICMS. Nossa luta tem que ser por mais verbas para a educação, que os poderosos paguem pela crise!

Seguir a mobilização para enterrar o aumento do bandejão e todos os cortes!

Não podemos permitir que esse pacotão e o corte de 50 milhões sigam em frente. Temos que lutar pela revogação do que foi aprovado e seguir mobilizados: no próximo mês, para quando querem pautar novamente o aumento do bandejão, também será votado a proposta do modelo de cotas. Nossa luta tem que ser contra todos os cortes porque não falta dinheiro, e não podemos aceitar o ataque a permanência estudantil que representa os cortes na creche universitária e o aumento do bandejão.

Está sendo chamado para o dia 19 de outubro um dia nacional de paralisação e mobilização em defesa da Educação Pública, pela UNE e pela FASUBRA (Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras). É necessário construir assembléias em todos os cursos da universidade para no dia 19 pararmos a universidade e fazer um grande protesto que tranque a rodovia D. Pedro, contra os cortes, pelo aumento do ICMS, só assim vamos ter mais vitórias e derrotar todos os ataques.

Todos à assembléia geral dos estudantes na sexta (06/10) 12H no PB!